A MINHA SOLIDÃO BOA
Nas horas da minha solidão boa,
Foi quando belas luzes me chegaram,
Quando os meus desvãos se burilaram,
Elevando o perfil da minha pessoa.
Valia-me da minha humildade;
Isolava-me de qualquer barulho,
Varria de dentro o meu entulho,
Deixando entrar a Boa Claridade.
Eu pedia a Deus que me ajudasse
A domar fantasmas que me açoitavam,
A suportar dores que me esmagavam,
A clarear as sendas do meu impasse.
Eu pedia com fé, tão grande e tanta,
Que mares de lágrimas me banhavam,
Enquanto as mãos de Deus me levantavam,
Numa carícia pura e Santa.
Pela fé, superava os meus desníveis,
Suportando muitas horas amargas,
Colhendo paz, a mãos cheias e largas,
Pois que, para Deus não há impossíveis.
Quando vinham as nuvens da incerteza,
Era pela fé que eu me sustinha,
Que eu testava a minha natureza,
Com a força que de Deus me provinha.
Quanto mais a minha prece fluía,
Mais a minha crença se elevava,
Mais o meu proceder se corrigia
E mais o bem, no meu ser habitava.
E assim aprendi a ser meu amigo,
A perder o medo de estar sozinho;
A enfrentar as sombras do meu caminho,
Sabendo que o Senhor está comigo.
Faro, 28-6-2026
José Bento
poema baseado na vivência real.