A GUERRA INJUSTA
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Presidente, tu que na sombra do teu gabinete,
Fizeste a lei, que começa a injusta guerra,
Nem sabes como na tua vida se reflete
Tanto sofrimento que tal decisão encerra.
Aqueles que vão morrer, na flor da vida,
Ao deixarem o corpo, virão ter contigo;
Virão infligir-te o pesado castigo,
Por teres, sem dó, apressado a sua partida.
As tuas noites, depois desta lei, não terão paz;
Vaguearás, entre tumultos e pesadelos;
Ficarás horrorizado, ao senti-los e vê-los;
São esses que, da morte, a outra vida te traz.
Vêm cobrar-te os sofrimentos que causaste,
Por tantas criancinhas, que ficaram sem pai;
Por tantas famílias que tu destroçaste,
Que aumentam, à medida que cada bomba cai.
É mesmo, agindo pela calada da noite,
Quando, dormindo, deixas esse corpo doente,
Que verás aquele exército de gente,
Com o seu escárnio e o seu açoite.
E, quando deixares esta curta vida,
Nas ânsias duma morte que não existe,
Esperar-te-á uma multidão enfurecida,
Arrastando-te, como um verme roto e triste.
Que vã ilusão é essa, de teres o poder,
Que, em má hora, fez de ti um ditador.
Multiplicaste por milhões, as somas da dor,
Mas ateaste a fogueira, onde vais arder.
Como para ti, foi funesto ser presidente,
Confiando na tua corte de bajuladores!
Quiseste ser a causa de tantos horrores,
Que levam o desespero a tanta gente.
Um dia, quando mergulhares na escuridão,
Do inferno que criaste no teu pensamento,
Sentirás o negrume do sofrimento,
Pelo qual massacraste cada coração.
Como vais maldizer o teu cargo de presidente!
Pedirás socorro, com rogos aflitos;
Mas a multidão sufocará os teus gritos,
Clamando por vingança, na sua dor ardente.
Lembra-te que não existe condenação eterna;
No teu inferno, tenta acender uma luz.
Deixa entrar a fé, mesmo na tua caverna
E abre o teu coração, ao amor de Jesus.
Faro, 5-10-2023
José Bento
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