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A GUERRA INJUSTA

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Presidente, tu que na sombra do teu gabinete,

Fizeste a lei, que começa a injusta guerra,

Nem sabes como na tua vida se reflete

Tanto sofrimento que tal decisão encerra.

 

Aqueles que vão morrer, na flor da vida,

Ao deixarem o corpo, virão ter contigo;

Virão infligir-te o pesado castigo,

Por teres, sem dó, apressado a sua partida.

 

As tuas noites, depois desta lei, não terão paz;

Vaguearás, entre tumultos e pesadelos;

Ficarás horrorizado, ao senti-los e vê-los;

São esses que, da morte, a outra vida te traz.

 

Vêm cobrar-te os sofrimentos que causaste,

Por tantas criancinhas, que ficaram sem pai;

Por tantas famílias que tu destroçaste,

Que aumentam, à medida que cada bomba cai.

 

É mesmo, agindo pela calada da noite,

Quando, dormindo, deixas esse corpo doente,

Que verás aquele exército de gente,

Com o seu escárnio e o seu açoite.

 

E, quando deixares esta curta vida,

Nas ânsias duma morte que não existe,

Esperar-te-á uma multidão enfurecida,

Arrastando-te, como um verme roto e triste.

 

Que vã ilusão é essa, de teres o poder,

Que, em má hora, fez de ti um ditador.

Multiplicaste por milhões, as somas da dor,

Mas ateaste a fogueira, onde vais arder.

 

Como para ti, foi funesto ser presidente,

Confiando na tua corte de bajuladores!

Quiseste ser a causa de tantos horrores,

Que levam o desespero a tanta gente.

 

Um dia, quando mergulhares na escuridão,

Do inferno que criaste no teu pensamento,

Sentirás o negrume do sofrimento,

Pelo qual massacraste cada coração.

 

Como vais maldizer o teu cargo de presidente!

Pedirás socorro, com rogos aflitos;

Mas a multidão sufocará os teus gritos,

Clamando por vingança, na sua dor ardente.

 

Lembra-te que não existe condenação eterna;

No teu inferno, tenta acender uma luz.

Deixa entrar a fé, mesmo na tua caverna

E abre o teu coração, ao amor de Jesus.

 

Faro, 5-10-2023

 

José Bento

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