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A ETERNA SINFONIA

19 de abr.
2 min de leitura

Para quê falar de dores e destroços,

Se o que eu quero é louvar a alegria?

Hã sofrimentos que trouxemos, porque eram nossos,

E teriam de revelar-se num qualquer dia.

 

A alma envolve-se num corpo subtil,

Que sempre foi o nosso, desde que existimos.

Nele se gravou, quanto amámos e delinquimos,

Estampando as condições do nosso perfil.

 

Deus, que é espírito, fez-nos à sua imagem;

Mas, para subirmos os degraus da evolução,

Deu-nos a matéria, como troço da viagem,

Chegando a ela, pela reencarnação.

 

Somos uma humanidade com muitos erros;

Com guerras, muitas injustiças e frustrações.

Fazendo o mal, vamos criando novos desterros,

Que vão agravar as nossas reencarnações.

 

A dor é a mestra muda que nos ensina,

A retificar erros que antes praticámos.

Suportando-a, com fé, ela nos ilumina,

Levando-nos a respeitar a lei que violámos.

 

A existência vai correndo sem qualquer pausa;

Cada um colherá só aquilo que semeia.

Todo o efeito se originou numa causa,

Que foi criada por nós ou por alma alheia.

 

Quem planta, na vida, amor e sabedoria;

Quem dá a sua mão, para erguer os caídos,

Transforma a dor que antes o aturdia

Na paz de quem sente os seus deveres cumpridos.

 

Quem vê em cada ser humano um irmão,

E respeita a Terra, por ser o nosso berço,

Vai escrevendo, no viver, mais um belo verso,

Bordando com pontos de luz, o seu coração.

 

Quem faz da vida uma oportunidade,

Plantando o bem, na senda do seu crescimento,

Acende uma luz, no centro da humanidade,

Trazendo consigo o brilho do firmamento.

 

Quem aceita Jesus, como seu Mestre e Guia;

Quem ama a criação do Pai Celestial,

Sente vibrar a harmonia universal

E a beleza da eterna sinfonia.

 

Faro, 15-5-2025

 

 

José Bento

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