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A DOR DA PARTIDA

  • 9 de mai.
  • 1 min de leitura

Aquele abalou, outro partiu, este se vai;

Mas é sofrido, para mim, ter mais partidas.

Sou qual planta, com menos folhas, do que as caídas,

Qual casa assombrada, por gente que de lá sai.

 

Longe vão tempos, quando ficar não doía tanto;

Por cada amor ido, outro vinha e crescia.

A mente forte pensava que tudo podia,

Descobrindo na vida, sempre um novo encanto.

 

Mas cada partida beliscou-me o coração,

Ficando uma dor a revolver-me a memória;

Um traço triste que pesa na minha história;

O sentir doloroso dum repetido não.

 

Sinto saudades de não ter luzes apagadas;

De não ter de passar pelos portos das partidas;

De encostar a minha vida a outras vidas,

E sentir sempre o gosto das chegadas!

 

Mas à medida que percorro a minha estrada,

Sinto que é mais fácil perder do que achar;

Ganhei o gosto de entender e completar,

Lendo uma narrativa já quase acabada.

 

Faro, 18-10-2025

 

José Bento

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