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A DIVINA MARAVILHA

19 de abr.
1 min de leitura

Penso em quando as minhas frases te olharam,

Quando os meus dedos, inocentes, te falaram,

Quando eu só queria ser o teu escravo.

Então, eu ignorava a minha riqueza;

Tentava iludir a minha natureza,

Perdendo o meu tempo, travo após travo.

 

Pensava eu que, na tua força, tudo podia,

Que a prosa tosca lograva ser poesia,

Fazendo o meu ser profundo vir ao de cima.

Contudo, se eu já melhor me conhecesse,

Certamente intuísse e me convencesse

Que não viria de fora a minha obra prima.

 

Mesmo contigo, andava só no meu deserto;

Era um ser estranho, que não estava liberto;

Que te buscava, antes de me encontrar.

Mais tarde, decidi seguir uma outra pista,

Começando cá por dentro, com a minha conquista,

Pois só tem brilho, quem se sabe iluminar.

 

E foi assim, que bati à porta do meu eu,

Usando o poder da razão que Deus me deu,

Examinando-me, segundo o meu juízo.

Senti-me um ser carente e pequenino,

Que tinha na mão, o mapa do seu destino,

Tendo, para ser feliz, o que era preciso.

 

Descobri o desejo de me descobrir,

Pois, quanto mais saber, menos erros no decidir,

Tornando-se mais bela a nossa dimensão.

Entendi que a Lei Divina tudo governa;

Que é perfeita, constante e eterna,

Traçando o caminho da nossa sublimação.

 

Compreendi frases profundas e novas,

Aceitando, com fé, todas as minhas provas,

Deixando de viver só dentro da minha ilha.

Passei a amar os que encontrei no caminho,

Afastei a tristeza de viver sozinho,

Passando a intuir a Divina Maravilha.

 

Faro, 28-2-2026

 

José Bento

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