A DIVINA MARAVILHA
Penso em quando as minhas frases te olharam,
Quando os meus dedos, inocentes, te falaram,
Quando eu só queria ser o teu escravo.
Então, eu ignorava a minha riqueza;
Tentava iludir a minha natureza,
Perdendo o meu tempo, travo após travo.
Pensava eu que, na tua força, tudo podia,
Que a prosa tosca lograva ser poesia,
Fazendo o meu ser profundo vir ao de cima.
Contudo, se eu já melhor me conhecesse,
Certamente intuísse e me convencesse
Que não viria de fora a minha obra prima.
Mesmo contigo, andava só no meu deserto;
Era um ser estranho, que não estava liberto;
Que te buscava, antes de me encontrar.
Mais tarde, decidi seguir uma outra pista,
Começando cá por dentro, com a minha conquista,
Pois só tem brilho, quem se sabe iluminar.
E foi assim, que bati à porta do meu eu,
Usando o poder da razão que Deus me deu,
Examinando-me, segundo o meu juízo.
Senti-me um ser carente e pequenino,
Que tinha na mão, o mapa do seu destino,
Tendo, para ser feliz, o que era preciso.
Descobri o desejo de me descobrir,
Pois, quanto mais saber, menos erros no decidir,
Tornando-se mais bela a nossa dimensão.
Entendi que a Lei Divina tudo governa;
Que é perfeita, constante e eterna,
Traçando o caminho da nossa sublimação.
Compreendi frases profundas e novas,
Aceitando, com fé, todas as minhas provas,
Deixando de viver só dentro da minha ilha.
Passei a amar os que encontrei no caminho,
Afastei a tristeza de viver sozinho,
Passando a intuir a Divina Maravilha.
Faro, 28-2-2026
José Bento
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